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Viver é projetar o futuro, edificar pontes entre gerações, interligar civilizações. Desde a Antiguidade que o comércio cumpriu tal função e os mercadores desempenharam, ao longo da história, uma prodigiosa missão educativa. Eles foram os primeiros a inventar e difundir o alfabeto para unir povos, clientes e fornecedores de bens, através da linguagem formal. Foi com estradas e pontes que o Império Romano criou o seu espaço político, militar, comercial e cultural, unindo povos diferentes e distantes. O caminho marítimo para a Índia, marco fulcral da nossa história, foi uma empreitada comercial que resultou numa ponte para um vasto intercâmbio de civilizações. Foi com base numa união comercial que a Europa, depois de duas guerras desastrosas, decidiu modificar a sua rota e prevenir o seu futuro, tentando uma união única e singular em toda a história das civilizações. Apesar da crise, a Europa é hoje um projeto sem precedentes, cujas fronteiras poderão talvez vir a ser as suas leis e a amplitude da cidadania oferecida aos seus habitantes. As ilustrações do papel-moeda de 17 dos países da União europeia são pontes. A ponte é a metáfora da viagem, da passagem para o desconhecido, da peregrinação e do encontro com os outros, para aprender a olhá-los com amor e compaixão.

À escala do poder económico de muita gente e à escala da capacidade dos homens em apreciar o legado cultural do passado, podemos dizer que a humanidade nos vem revelando testemunhos impressionantes da sua criatividade e da sua cultura. Basta folhear os panfletos das agências de viagem convencionais para descobrir que, misturadas com as fotografias paradisíacas de areais exóticos, coqueiros e palmeiras, praias e montanhas, se encontram as pirâmides do Egipto, com mais de 4.000 anos de idade, a Terra Santa com mais de 3.000 anos de história, a acrópole de Atenas com mais de 2.500, as cidades santas do Budismo, as pirâmides Aztecas e Maias, a grande muralha da China e inúmeros locais de interesse arqueológico que se acrescentam cada ano ao cardápio da oferta turística, para saciar a curiosidade dos forasteiros que procuram satisfação e contentamento. Todos estes espaços oferecidos à curiosidade e ao prazer dos turistas nos revelam momentos muito especiais da criatividade cultural da humanidade os quais, pela sua grandiosidade, nos espantam e nos comovem.

A par destes monumentos permanentes que resistiram ao tempo graças à dureza da pedra, há ainda um património imaterial muito mais vasto, feito de tradições orais e escritas, de filosofias e de religiões, de artes e invenções, de sabores e melodias, de poesia e de pintura, de modos peculiares de construir cidades, de semear os campos e de atrelar os bois. Em bibliotecas e museus encontramos guardado, preservado e catalogado, o resultado do esforço das civilizações para perpetuarem a memória dos seus feitos. O fascínio por todas estas manifestações culturais aumenta à medida que os homens se equipam com instrumentos sofisticados de produção e de investigação, servindo-se desses mesmos instrumentos recém-criados para averiguar melhor o passado remoto e tentar enxergar os meandros mais íntimos e secretos de outras culturas, algumas há muito desaparecidas.

Portugal tem um potencial turístico excecional para descobrir; por ser o país mais velho da Europa, com fronteira, rei e bandeira definidos há mais de 700 anos, por ter criado pontes e pontos de encontro com povos de quatro continentes, por ter muitos dos seus cidadãos espalhados por mais de 160 países do planeta, enfim, pelo património edificado e imaterial que levantou ao longo da sua história. Muito desse património encontra-se escondido, fora dos roteiros turísticos convencionais e frequentemente trilhados; e é precisamente nesse espaço mais escondido que se encontram as raízes genéticas e culturais de muitos daqueles que um dia partiram à procura de um mundo mais vasto de liberdade e de ambição. Eles atravessaram oceanos e fizeram de outros climas e em outras culturas o terreiro das suas vidas, sem nunca apagarem da memória os vestígios ancestrais. Muitos deles já não pertencem ao mundo dos vivos, mas deixaram em herança aos seus descendentes o gosto e o desejo de conhecerem as suas raízes.

Se os sumptuosos monumentos da Grécia, do Egito e da China pertencem ao património cultural da humanidade, o espaço das nossas raízes, tanto o mais visível como o mais escondido, pertence-nos em exclusividade, como marcos da nossa identidade. A nossa proposta de intervenção dirige-se aos interessados pela descoberta das suas raízes genéticas e culturais, em primeiro lugar àqueles que hoje vivem afastados das suas origens e que desejam descobri-las para melhor se conhecerem; é nosso propósito criar as pontes e os pontos de encontro, facilitando-lhes a descoberta, traçando os roteiros e despertando as memórias. Pretendemos igualmente satisfazer a curiosidade daqueles que, originários de outras latitudes, se interessam particularmente pelos pedaços de criatividade mais genuínos e intocados da cultura portuguesa, desde a língua ao folclore, do artesanato à gastronomia.

O nosso propósito é oferecer um leque diferenciado de escolhas em turismo religioso e cultural, destinado a clientes exigentes que procuram satisfação longe do turismo de massa e dos circuitos convencionais, à margem das multidões. Pretendemos também, em colaboração com organizações de outros países, proporcionar aos nossos conterrâneos a oportunidade de fazerem o mesmo género de turismo cultural no estrangeiro, dentro de moldes similares e obedecendo aos mesmos critérios de qualidade.

Enfim, por pontes e caminhos, traçaremos rotas para os peregrinos da vida.